sobre
Inês Viana.
Sou arquiteta por formação. Mas o que sempre me moveu foi uma pergunta mais funda do que o desenho: o que é que faz uma pessoa estar bem, dentro de si, dentro de um espaço, dentro de um sistema?
Esta pergunta levou-me por caminhos que não estavam no plano. E continua a levar.

Como é que os espaços que desenhamos impactam quem neles habita?
Foi esta pergunta que moldou a minha abordagem à arquitetura. Levou-me a estudar Neuroarquitetura, a certificar-me como WELL AP e a perceber que um espaço nunca é neutro: está sempre a fazer algo às pessoas que o habitam. Trabalhei em gestão de obra, design de interiores e consultoria de sustentabilidade. Desenvolvi parcerias focadas em wellbeing, conduzi workshops, leccionei sobre design for wellbeing. Cada vertente foi uma forma diferente de responder à mesma questão.
Em Londres, aprofundei o trabalho em impacto ambiental e no sistema SKArating. E foi aí que uma segunda pergunta, guardada desde 2009, voltou à superfície.
E se tivesse escolhido Engenharia Informática em vez de Arquitetura?
Num projeto com poucos recursos, comecei a construir automações e soluções com IA. Algo adormecido acordou: a lógica, os sistemas, a vontade de construir de forma diferente. O regresso a Portugal trouxe espaço para estudar Python, SQL e Prompt Engineering, não por obrigação, mas por curiosidade genuína.
Dessa curiosidade nasceu o Behestia: uma exploração sobre como os dados ambientais de um edifício podem ser traduzidos em orientação humana real. Não dashboards de números. Compreensão.
Transformámos tudo num instrumento financeiro. Incluindo o lugar onde vivemos.
Ao longo deste percurso fui acumulando perguntas que não cabem numa proposta de projeto. Sobre o impacto silencioso dos ambientes na nossa saúde. Sobre como passamos 90% da nossa vida em espaços fechados e quase nunca falamos sobre o que isso nos faz. Sobre habitação, e como deixou de ser o lugar onde uma vida acontece para passar a ser um ativo a gerir.
O Coreto nasceu dessas perguntas. Uma tentativa de provar que é possível construir habitação digna, bonita e permanentemente acessível em Portugal, fora da lógica de mercado e da especulação.
Tudo o que construímos fora é um reflexo do que habita dentro.
A última camada que chegou foi também a mais antiga. O movimento, a dança, as práticas somáticas, não como hobby, mas como forma de conhecimento. O corpo sabe coisas que a mente ainda não formulou.
O corpo, o edifício e o planeta não são três coisas separadas. São expressões diferentes do mesmo princípio. Não conseguimos construir um lugar de genuíno bem-estar se ainda vivemos em guerra com nós próprios. As paredes só mudam quando nós mudamos.
É por isso que tudo o que faço, os projetos, a investigação, os workshops, parte sempre da mesma pergunta: o que é que faz uma pessoa estar verdadeiramente bem?